NOVO TESTE PARA DISPARO DE ARMA DE FOGO

O teste é uma nova maneira, mais rápida e mais eficiente, de identificar quem disparou uma arma de fogo a partir de resíduos metálicos que ficam na mão e nas roupas do suspeito.

Uma pesquisa pioneira no Brasil pode ajudar a polícia a desvendar crimes, principalmente os que envolvem armas de fogo. Pesquisadores da Universidade do Espírito Santo desenvolveram uma nova maneira, mais rápida e mais eficiente, de identificar quem fez o disparo a partir de resíduos metálicos que ficam na mão e nas roupas do suspeito. 

"Quando a bala sai, há uma explosão e o projétil libera partículas que acabam se fixando na mão da pessoa que atirou", explica Gabriela Vanini, 25, autora da nova metodologia de análise de resíduos de tiros. No procedimento realizado pela polícia, uma fita adesiva é utilizada para colher as partículas das mãos do suspeitos para serem analisadas.

No laboratório de espectrometria atômica da Ufes, uma máquina, chamada de ICP OES (sigla para "espectrômetro de emissão óptica com plasma indutivamente acoplado") é usada para determinar a presença de resíduos de três metais na amostra: o chumbo, o bário e o antimônio. 

O resultado sai em três minutos e, segundo a pesquisadora, essa nova maneira de analisar os resíduos de tiros evita os resultados falsos, que acontecem com frequência com o método atual. 

Ela explica que atualmente, para que a polícia determine se uma pessoa disparou ou não uma arma de fogo, é feito um teste colorimétrico. Nesse teste, um reagente é pingado sobre a amostra colhida da mão do suspeito e se o liquido ficar rosa, está comprovada a presença de chumbo, um dos elementos expelidos pela arma no momento do disparo. 

No entanto, Gabriela aponta que há falhas nesse teste. "O chumbo existe na natureza em várias formas. Um mecânico ou um cabeleireiro, por exemplo, têm constantemente partículas de chumbo nas mãos e isso não quer dizer que eles tenham dado um tiro", esclarece.

A diferença na nova metodologia é justamente detectar a presença dos outros dois metais, além do chumbo, na amostra. Segundo os pesquisadores, essa combinação de metais é muito mais difícil de ser encontrada em outro lugar, que não nas mãos de alguém que disparou uma arma.
 
Máquina identifica até o tipo de arma

Além de identificar se uma pessoa efetuou ou não o disparo, o método desenvolvido na Ufes pode também dizer qual tipo de arma foi usada pelo criminoso. 

Segundo o professor Wanderson Romão, doutor em química e orientador do mestrado de Gabriela, em testes feitos no laboratório, foi possível diferenciar, através da análise das partículas, o tipo de arma disparada. 

"O teste pode dizer se foi um revólver .38, mais usado pelos criminosos, ou uma pistola por exemplo", diz o professor. 

O Delegado José Lopes, chefe da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa, comemora o avanço na área e afirma que o novo teste poderá ajudar a solucionar crimes com mais precisão e rapidez. 

Ele diz ainda que é muito difícil provar, através do método atual, se uma pessoa disparou uma arma ou não por causa do grande número de resultados "falsos positivos" e "falsos negativos" que dão margem para dúvidas.

"Hoje em dia, uma testemunha fala que uma pessoa atirou, essa pessoa diz que não foi ela e acaba a palavra de uma contra a da outra. O novo teste de resíduos de tiro é uma prova objetiva, como o teste de DNA, não tem como refutar", diz.
 





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