Técnica inédita será usada para desvendar morte da mãe do menino Bernardo

Uma técnica de reconstrução facial em imagem tridimensional (3D) será usada de forma inédita no Estado pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) na investigação das circunstâncias da morte de Odilaine Uglione, mãe do menino Bernardo.

As falhas na rede de proteção que não salvou Bernardo Boldrini 

A partir de vestígios encontrados no crânio, peritos farão uma reprodução simulada de como foi feito o disparo. O objetivo é verificar as hipóteses de suicídio e de homicídio para atestar o que realmente ocorreu com Odilaine, em 2010.

As perícias que estão em andamento no IGP na nova investigação da morte de Odilaine Uglione

  • RECONSTRUÇÃO DO CRÂNIO EM 3D

    A técnica é inédita no RS e será usada pela primeira vez no caso Odilaine. A partir dos restos mortais desenterrados, o crânio é fotografado em diversos ângulos a fim de embasar a reconstrução em uma imagem tridimensional.

    Esta reprodução deve auxiliar os peritos no cálculo de ângulos do tiro baseado na posição de entrada e no local onde ficou alojado o projétil, no crânio. O trabalho também vai contribuir posteriormente para a reconstituição do fato. Em conjunto com outras provas, servirá para comprovar ou descartar a hipótese de suicídio.

 

  • PERÍCIA GRAFOSCÓPICA OU GRAFOTÉCNICA

    A carta que Odilaine teria escrito avisando que tiraria a própria vida é analisada na seção de Documentoscopia Forense do Departamento de Criminalística. A perícia indicará se a carta é autêntica, ou seja, se foi escrita por Odilaine. Perícia particular contratada pela família dela aponta que o documento não foi escrito por ela.

    Como Leandro Boldrini teria queimado materiais e documentos de Odilaine logo depois de sua morte, foi preciso localizar com familiares documentos escritos por ela a fim de os peritos fazerem a comparação. Um dos materiais é um cartão de Natal enviado por Odilaine para uma amiga de Santa Maria, entre outros manuscritos que foram originalmente escritos por ela e que são usados pelos peritos para comparar com os grafismos da carta.

    Vários são os parâmetros analisados em grafoscopia. Confira:

    A dinâmica do movimento que o punho escritor empenhou para fazer as letras.

    As posições de início e fim de cada letra.

    Como são procedidas as junções entre letras.

    A inclinação da escrita.

    O alinhamento da escrita em relação a linha de base.

    Como são confeccionadas maiúsculas e minúsculas.

    Caso a carta não seja autêntica, testes vão verificar se foi escrita por uma pessoa que trabalhava no consultório

    à época.

 

  • TESTE DE RESÍDUOS DO DISPARO
  • O IGP solicitará à polícia o envio da arma (um revólver calibre 38) apreendida no dia da morte de Odilaine. O objetivo é fazer disparos com o revólver para testar como se comportam os resíduos de tiro em várias situações que serão criadas.

    O teste será realizado pela Divisão de Balística do Departamento de Criminalística (DC). A posição relativa da arma ao corpo, a angulação do disparo e os vestígios do tiro serão avaliados nesta perícia.

    A família de Odilaine questiona o fato de ela ser destra e o exame de resíduos ter indicado, à época, que ela tinha chumbo na mão esquerda. Na verdade, o exame residuográfico não pode ser considerado de forma isolada para determinar se uma pessoa atirou ou não.

    Pode ocorrer de não haver vestígios na mão de quem atirou ou de serem encontrados resíduos na mão de quem não atirou, mas que aproximou as mãos da arma numa tentativa de defesa.

 

  • TESTE DE CROMOSSOMO Y EM MATERIAL GENÉTICO

Quando Odilaine morreu, em fevereiro de 2010, foi coletado material subungueal, ou seja, aquele que fica sob as unhas quando, por exemplo, a vítima tenta se defender de um ataque. Em casos de homicídio, esse tipo de material é comparado com o de suspeitos do crime.

 

Como a morte de Odilaine foi considerada suicídio, a polícia não solicitou, à época, esse tipo de comparação. Mas o material coletado em 2010 ficou armazenado no laboratório do IGP. Agora, o primeiro teste a ser feito é para verificar a presença do cromossomo Y, presente apenas em homens.

Se for encontrado esse cromossomo, o material deverá ser comparado, inicialmente, ao de Leandro Boldrini, então marido de Odilaine e que estaria com ela no momento do disparo.






Comentários

Facebook