Interdição de prédio prejudica perícias criminais em Porto Alegre

A interdição do Departamento de Criminalística do Instituto-Geral de Perícias (IGP), desocupado há um mês, tem comprometido a realização de perícias criminais em Porto Alegre. Instalados provisoriamente em três endereços diferentes, servidores reclamam da falta de condições para executar atividades fundamentais na elucidação de crimes. O prédio foi interditado em setembro pela Secretaria Municipal de Urbanismo (Smurb) por não contar com laudo de prevenção a incêndios. A desocupação, no entanto, ocorreu somente no final de outubro.

O presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais da Área Criminal do Estado do Rio Grande do Sul (Acrigs), Álvaro Bitencourt, calcula que mais de 700 laudos deixaram de ser realizados pela seção de balística forense desde a interdição. O trabalho consiste em confrontar o projétil recolhido na cena do crime com a arma apreendida na ocorrência. “É uma seção superimportante, que trata da perícia de crimes contra a vida, e que está completamente paralisada”, afirma.

No setor de química legal, conforme Bitencourt, o trabalho foi interrompido porque não há laboratórios disponíveis. A seção é responsável por identificar a numeração de armas de fogo que tiveram o número de série raspado. “São armas que vão deixar de ter a sua origem identificada, pois pelo número de série é possível saber quem é o proprietário”, observa. Além disso, ele classifica como “desumanas” as condições de trabalho oferecidas às equipes de plantão. “Não tem nem onde as pessoas sentarem direito. Alguns colegas dormem em colchões embaixo da mesa. Há um único banheiro, para homens e mulheres”, descreve.

O diretor-geral do IGP, José Cláudio Garcia, reconhece que as condições não são ideais, mas contesta as informações da Acrigs. De acordo com ele, o número de laudos expedidos pela seção de balística forense não teria como chegar a 700 em um mês. Ele não soube informar, no entanto, quantos atendimentos deixaram de ser realizados.

Conforme Garcia, uma nova sala deverá ser concluída nesta semana para que a seção retome as atividades. O diretor também nega a denúncia relacionada às equipes de plantão. “As condições não são as ideais, mas o pessoal tem uma sala adequada em que pode descansar”, argumenta. O IGP já definiu que alugara um prédio localizado na rua Voluntários da Pátria. Porém, algumas adaptações são necessárias antes da mudança. A meta é que isso ocorra em março de 2014. “Não é um período confortável, mas estamos trabalhando por condições melhores”, diz Garcia.

 

Fonte:Correio do Povo





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